Fanfic de “Fui Uma Boa Menina?” de Carolina Munhóz

Mais uma fanfiction de uma das obras da Carolina Munhóz! Dessa vez eu dei uma continuação ao seu e-book de fim de ano “Fui Uma Boa Menina?“, que tem resenha aqui no blog e vale a pena dar uma olhada caso não queira ler a historia inteira. Como é uma continuação indico que leiam o conto, é bem curtinho e o melhor é que é gratuito! Escrevi essa história a muitos anos atrás também para um concurso de fã clubes na internet, então quando tiverem lido me digam o que acharam nos comentários e calma que eu pretendo sim reescrever todas essas fanfics um dia haha. Merry Xmas!

MEU  QUERIDO  ROSEBUD

La estava ela, Perrie White Claus com seu velho e bondoso pai, na correria dos preparos para o natal. Faltavam apenas um único dia para a véspera.

Ela estava com seu casaco branco com bordas de pele de urso na gola, mangas e barra que chegava até o meio de sua canela, com uma meia-calça branca, um coturno de couro com um tom de bege. Seus fios de cabelo liso, longos e brancos, tão lindos que quase chegava a ter um toque prateado, e como era belo quando a luz reluzia aquele brilho, a cada movimento seus fios caindo para frente de seus ombros, e suas pontas chegando até o começo de sua coxa, se entrelaçando e dando o efeito como se fossem conduzir o som de batidas de sinos. Sua mãe certamente ficaria orgulhosa em vê-la assim, por ela ter aceitado o que é, ter aceitado sua família.

Já estava se aproximando para a hora do jantar, e todos estavam na fábrica adiantando o máximo que pudessem o seu trabalho.

Perrie White estava finalizando suas tarefas e se dirigindo para seu quarto, onde passara tanto tempo trancada pensando em como a vida era injusta com sigo e ninguém a entendia. Seu olfato foi surpreendido pelo aroma de peppermint em seu quarto, o perfume que sua mãe usava. O impacto foi tão forte que veio uma nevasca de lembranças a sua mente, relembrando do último dia que escreveu em seu diário Rosebud, e tudo passou a ser como está agora.

Flashback

“Não existiam tantos loucos no mundo capazes de morar em um lugar com uma temperatura constante abaixo de trinta graus negativos. Entretanto, naquela época eu sonhava com o dia em que teria alguém para compartilhar aquele martírio, já que minha família tinha o dever de pensar naquele dia como uma ocasião para se preocupar com os outros e não consigo própria. O engraçado é que até hoje não achei alguém para dividir isso comigo.

 Gostaria tanto que você me respondesse, Rosebud.

 Aí, senhor! Diga-me o que fazer, Rosebud. Ganhe vida e me tire desse conflito.”

 Fim do flashback

 Procurou pelo seu melhor amigo, seu querido diário, Rosebud. Ele estava praticamente todo congelado, naquele canto do quarto vazio e esquecido, sem sentir o calor dos desabafos de Perrie, sua única e melhor companheira, se ele pensasse é claro, creio que essa seria sua opinião. Ele era um objeto de confissões e desabafos, companhia e inspiração.

A moça de belos fios de cabelo brancos foi ao encontro daquele livro tomado pelo gelo, suas páginas coladas umas nas outras, e assim que foi tocado pela garota as pontas de seus dedos ficaram roxas e sua pele logo grudou na capa de seu querido diário. Achou melhor embala-lo em algum pano, para aquece-lo, pois estava realmente curiosa para ler o que escreveu durante sua vida, e o que poderia escrever, ela queria ver o quanto amadureceu, sentir aquela sensação de ter se superado, e ter o incentivo de si mesma para se superar ainda mais e para melhor.

Após um tempo tentando derreter toda aquela pequena camada de gelo de seu amigo Rosebud, finalmente ela conseguiu abri-lo. Ficou tão surpresa quando começou a ler aquelas folhas, era como fazer um viagem no tempo, como se ela ainda tivesse aquela idade, ainda fosse aquela menininha, como se aquele sentimento de raiva, ódio, dúvida, culpa, solidão tivessem voltado a habitar o interior de seu ser. A cada página que lida era uma lágrima que rolava sobre sua pele clara, tão delicada que parecia ser feita de porcelana. Ler todos aqueles desabafos era como estar em um filme de terror, ela mal reconhecia aquele menina, e tentava entender como todos aqueles sentimentos conseguiam ocupar uma pessoa, sem deixa-la louca, mas era bom, ela estava se sentindo orgulhosa de si, de ter conseguido sobreviver aquilo, ter se livrado de todos aqueles perturbados momentos, menos todos aqueles em sua mãe comparecia.

Faltava algumas horas para o jantar, e Perrie estava sim com uma vontade incontrolável de escrever novamente em seu querido Rosebud, era como reencontrar sua melhor amiga após anos, e sentir aquela vontade se falar tudo sobre os acontecimentos de sua vida e suas reviravoltas, expressar o orgulho que estava sentindo de si mesma pelo seu desempenho de amadurecer. Ela o pegou trazendo-o para perto de si, e o abraçou com força, estava se sentindo aliviada, era como encontrar a outra parte de seu ser. Sentou-se na cama, pegou sua caneta fina prateada, abriu seu diário e acomodou-se. Começou a escrever, não queria ficar muito tempo em seu quarto, pois tinha que comparecer ao jantar, Perrie e seu pai ficaram muito apegados, sempre estavam fazendo suas tarefas juntos, e ela não queria mais perde seu tempo, depois de quase uma vida sem receber a presença paterna, e agora que tudo estava bem, gostaria de fazer o mais perfeito possível, pois ele não estaria lhe fazendo companhia para sempre.

Querido Rosebud,

estava sentindo tanto sua falta, nunca mais tive a oportunidade de vê-lo novamente depois de meu pai ter me procurado na Colônia de Feria dele. Bom, depois daquele dia ficamos inseparáveis, não fique com ciúmes, pois você e ele agora são as… Coisas mais preciosas da minha vida! 

 Gostaria tanto que você pudesse me ver agora, iria estranhar muito, não penso mais como pensava, não sou mais como era, todos falam que quanto mais o tempo passa, mais eu me pareço com ela. Sinto tanto a falta dela Rosebud, acho que se ela me visse agora sentiria pelo menos um pouco de orgulho, se ela visse como meu cabelo está parecido com o dela, posso arriscar em até comparar meu senso de bondade e carisma, depois de tudo que passei, vejo o tanto de crianças que precisam de carinho, ou até mesmo de um simples presente, que demonstre que há alguém que sabe que elas existem, escutam o que elas dizem, e atende os seus pedidos. Vou fazer o que puder para que nenhuma criança passe pelo o que passei, pensei como eu pensei, veja o mundo e a vida como eu vi, por que é horrível para nossa alma.

 Agora meu amigo, tenho que ir, mas gostaria de te agradecer por ter feito companhia sempre em meus dias ruins, você era o único com quem eu me desabafava, e eu sempre reclamando que não havia ninguém que me escutasse e me compreendesse, obrigada Rosebud. Não quero te perde nunca.

Perrie fechou seu diário, e o guardou em baixo de seu travesseiro, pois nunca mais queria deixa-lo congelar de novo, como era seu coração logo após a morte de sua mãe, e não queria perde-lo, disso lá no fundo de seu coração ela tinha certeza.

Ouviu uma batida na porta de seu quarto, era seu pai.

-Querida, não vai comparecer para o último jantar antes da véspera?

Ela abriu a porta, e o abraçou, ele retribuiu o abraço, mas não estava entendo o motivo dessa demonstração de carinho repentina.

-O que houve minha filha? Te deixei algum presente antes do tempo?

-Não pai. Seu bobo que eu amo muito! Advinha o que eu encontrei e congelado.

-Eu não sei, aqui onde moramos é quase impossível de algo ficar congelado não é mesmo? – O pai da garota falou com um certo tom de ironia acompanhado de humor.

-Pai?! Não fala assim comigo.. – Perrie fez uma cara de tristeza, e seu pai no mesmo instante riu e a abraçou.

-Eu te amo minha filha. Mas então me diga o que foi que encontrou?

-Rosebud! – Disse a menina quase explodindo de alegria, sua expressão até fez ela se parecer quando tinha oito anos de idade.

-O que é isso minha filha?! Uma de minhas renas? – O pai da garota novamente voltou a ter o senso de humor.

-Não pai! É o meu diário, foi esse o motivo de minha demora no quarto. Fazia tanto tempo que não o via. Foi como voltar ao passado, mas estou bem, sempre é bom ver o quanto nós evoluímos, até mesmo com as más experiências.

-Principalmente com as más experiências minha pequena. – Disse ele, com o ar de conselho. – Mas então, já escreveu sua cartinha? Ou amadureceu tanto que não quer mais saber dessas coisas?

-Não fiz não pai, acho que o senhor já tem trabalho de mais, e ainda mais, não sou uma boa menina. – Disse a garota, relembrando de como era, e o porque nunca recebeu presentes no Natal, e sempre passou essa data sozinha.

-Nunca se sabe se é mesmo preciso uma carta ou um pedido para receber um presente. Vamos jantar logo, já esta tarde, e amanhã já é véspera, será nosso último jantar e dia para comemorarmos o Natal, antes do próprio dia 25 de dezembro!

-Você tem razão, vamos sim, estou quase morta de cansaço. E quero acorda amanhã bem cedo, mas antes de dormir irei me despedir mais uma vez do meu querido Rosebud! – Os dois gargalharam, e foram em direção a cozinha abraçados.

O jantar foi rápido, os dois estavam realmente exausto, e depois cada um se dirigiu para seus quartos. Perrie então, se deitou em sua cama pegou Rosebud, e se despediu daquela noite, talvez a última de seu diário.

Rosebud, você acha que eu devo pedir algo de Natal? Bom, isso é estranho porque eu teria que pedi para o meu pai. Acho que minha vida já esta ótima, mas não será assim para sempre, logo só haverá eu, e depois de mim, nem eu sei se iria existir alguém… Boa noite Rosebud.

 O último dia antes do Natal estava amanhecendo, todos os duendes, elfos, e outras criaturas da fabrica da família Claus estavam se preparando para comemoração, pois todos eles sempre passavam o a noite de Natal fora de casa, portanto a véspera era sempre o dia onde eles comemoravam com suas famílias, unidas sempre com o espirito natalino.

Perrie acordo ao ouvir a porta do seu quarto bater, mas pelo o que parecia não havia mais ninguém além dela lá dentro. O sol não tinha saído totalmente, então decidiu ficar deitada por mais alguns minutos. Acabou lembrando do seu diário, e quando foi pega-lo embaixo de seu travesseiro, não havia sinal algum de seu querido Rosebud, somente um pequeno pacote contendo cookies com gostas de chocolate, aqueles que ela somente apreciou o aroma, pois nunca pode adquirir aquelas delicias, sempre haveria um dono, que passou o ano todo sendo uma boa criança, e esse caso não se encaixava no de Perrie, não é mesmo?

Ela estranhou, pois aqueles pacotes transparentes com uma leve cor avermelhada com cookies dentro, só eram entregues no natal, era como um pré-presente. Pensou consigo mesma “Será que fui uma boa menina, para receber isso?” e para ela se foi ou não uma boa garota, não importava, para ela seria apenas aquilo seu presente de natal.

Ela se levantou, e foi até a cozinha, para tomar o café e agradecer ao seu pai, pelos biscoitos. Ao se deparar com um estranho sentado na mesa, olhando-a espantado, como se nunca tivesse visto algo tão bonito em sua vida, acabou derrubando o pacote com os cookies no chão. O estranho, que por sinal era um rapaz de pele clara, olhos e cabelo pretos de fios lisos, alto e magro. Percebeu que ela estava assutada, então arriscou-se para dizer algo.

-Perrie White Claus?

-Sim, sou eu. – Disse a menina, um pouco acanhada, pois nunca tinha se deparado com um ser quase da mesma idade que ela, e com uma aparência tão bela.

-Tem algo para me contar? Vou escuta-la agora, como sempre fiz em toda a minha vida. – Disse o garoto, como se ela já soube-se quem era. E ele tinha esperança que ela o reconhece-se.

A garota assustada por sinal estava assemelhando-o com algo, mas o que havia em sua mente era impossível. Tomou coragem, e perguntou ao rapaz.

-Rosebud?

-Sim, Perry.

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